Quase tudo que escrevo gira em torno da mesma questão
Escrevo na HSM Management com regularidade, e por muito tempo tratei cada artigo como um tema à parte. Relendo o conjunto, percebo que quase todos giram em torno da mesma questão, ainda que vestida de assuntos diferentes.
A questão é como as empresas medem o que importa. A maioria acompanha o resultado, o número que aparece no fim, e deixa sem acompanhamento a cadeia que produz esse número. Volto a isso quando escrevo sobre estratégia, sobre inovação e sobre inteligência artificial, porque no fundo é sempre o mesmo ponto. A ferramenta muda, a moda muda, e a forma de medir continua olhando para o lugar errado.
Reuni aqui os artigos que sustentam esse argumento, organizados não por data, mas pela parte da questão que cada um ilumina.
A gestão que olha o lugar errado
Antes de qualquer tecnologia, existe um hábito mais antigo. A empresa aprende a olhar o resultado financeiro e o curto prazo, e passa a decidir a partir daí. Estes artigos tratam do preço disso.
Todo fim de ano, o passado se reelege no seu orçamento
A estratégia que você diz ter está no deck; a que você tem está no orçamento. No trimestre em que o plano do ano é aprovado, é a planilha — não a estratégia — que decide o que a empresa vai ser.
A quádrupla hélice do sucesso corporativo: por que estratégia, gestão, cultura e inovação são inseparáveis
Em um mundo com mais ferramentas do que nunca para inovar, as empresas seguem frágeis diante da mudança. A causa costuma estar na desconexão entre estratégia, gestão, cultura e inovação, tratadas como peças separadas.
A empresa que você construiu foi projetada para um mundo que não existe mais
O custo silencioso de executar, com precisão, uma estratégia desenhada para um cenário que já passou.
Quando a ferramenta nova não muda o resultado
A inteligência artificial chegou como resposta para tudo. Só que uma ferramenta melhor, colocada dentro da mesma forma de decidir e de medir, entrega pouco. Estes artigos mostram a doença antiga aparecendo no assunto do momento.
Sua empresa tem IA, mas continua decidindo como se não tivesse
O gargalo não é a tecnologia, é o organograma e o processo de decisão que não mudaram, e que deixam um sistema capaz preso ao jeito antigo.
O álibi perfeito: a IA não demitiu ninguém
Quando investir em IA vira a forma elegante de não explicar por que a conta não fechou, o discurso da inovação esconde o que ninguém está medindo.
Autoridade e decisão na ponta
Boa parte do que trava um resultado não está na estratégia declarada, e sim em quem tem, ou não tem, poder para decidir no momento em que o problema aparece.
O cliente nunca quis um humano. Ele quer que sua dor seja resolvida
O problema do atendimento não é quem responde, humano ou máquina, e sim a falta de autoridade de quem está na ponta para resolver de verdade.
O teatro da inovação que ninguém quer admitir
Lab, hackathon e discurso de mindset não movem o modelo de negócio. A pergunta é o que mudou concretamente, e como isso foi medido.
Ler o mundo antes que ele te alcance
O resultado financeiro só enxerga o que já aconteceu dentro de casa. Ele não mostra o que está se movendo lá fora, e é lá fora que costuma nascer a próxima ameaça ao resultado. Estes artigos são sobre olhar o contexto a tempo de reagir.
Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários
A vantagem não está em acertar o próximo choque, e sim em construir uma operação que se adapta sem perder o resultado.
Quando a inteligência fica barata, o seu modelo de negócio entra em risco
O que sustenta a parte mais lucrativa da sua empresa pode se dissolver sem ninguém perceber, quando o que era escasso deixa de ser.
Living Intelligence: a nova espécie de colaborador
A inteligência viva, sistemas que aprendem e decidem como um organismo autônomo, já está reescrevendo as regras de setores inteiros. A questão que se impõe é como liderar quando parte da equipe não é feita de pessoas.